Batochio: Lava Jato usa delator de plantão para preencher falta de provas contra Lula

“Na medida em que a prova se mostra fraca, se chama um colaborador de plantão para cobrir a deficiência, a anemia da acusação”, disse advogado de Lula ao juiz Sergio Moro

Jornal GGN – O advogado do ex-presidente Lula José Roberto Batochio disse, durante audiência de Delcídio do Amaral no caso triplex, que o senador cassado funciona como um “delator de plantão” para a Lava Jato. Segundo o defensor, o Ministério Público Federal tem recorrido aos depoimentos de Delcídio para cobrir a “anemia da acusação” não só contra Lula, mas também contra outras figuras ligadas a governos petistas, como o ex-ministro Antonio Palocci. 

No vídeo acima, a partir dos 3 minutos, Batochio pergunta se Delcídio “tem sido sistematicamente convocado” pela força-tarefa da Lava Jato para “complementar sua delação premiada”, através de novos depoimentos, “conforme vão surgindo as necessidades acusatórias”.

Delcídio, depois de alguns pedidos de esclarecimentos em torno da pergunta, respondeu: “Tenho, sempre. Um depoimento ou dois por mês, na média.”

“E como são solicitados esses depoimentos? É como se diz no jorgão da defesa, à la carte, ou seja, são apresentados alguns nomes  e o senhor é convidado a depor em cima desse nome ou de um tema?”, rebateu Batochio. Delcídio devolveu: “Não. O guia é o meu termo de colaboração.”

Batochio quis saber, então, se recentemente Delcídio foi chamado para falar de Palocci, coincidentemente depois que a Lava Jato apresentou uma denúncia contra o ex-ministro. Moro, então, interrompeu. Batochio teve de explicar que não estava “produzindo provas para outros autos”, mas sim tentando “expor o critério segundo o qual são obtidas essas colaborações”. Leia mais aqui.

Em outubro, o GGN publicou que para ajudar Marcelo Odebrecht a fechar um acordo de delação premiada, a força-tarefa da Lava Jato estaria exigindo informações contra Palocci e o ex-ministro Guido Mantega. Esse dado só saiu na imprensa após o pedido de prisão de ambos.

Para o jurista, “na medida em que a prova se mostra fraca, se chama um colaborador de plantão para cobrir a deficiência, a anemia da acusação.”

Moro indeferiu a pergunta, e Batochio abriu uma discussão dizendo que Moro tem “viés obviamente inclinatório para a tese acusatória”.

Em seu depoimento, Delcídio negou que tivesse informações sobre a acusação de que Lula recebeu um triplex no Guarujá em contrapartida a três contrados obtidos pela OAS com a Petrobras, para obras nas refinarias Abreu e Lima e Getúlio Vargas. 

Delcídio também disse que foi escolhido como colaborador porque foi líder do governo Lula e Dilma e sabia como funcionava os bastidores da política em Brasília. Ele admitiu que não tem provas materiais das acusações que fez contra Lula.

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5 comentários

  1. Preso e coagido ilegalmente, Delcídio virou delator de plantão.

    Prezados,

    Quem conhece Delcídio sabe que ele é um engenheiro competente, qualificado. Mas como político JAMAIS se mostrou um petista ou esquerdista; o DNA tucano de Delcídio é fàcilmente perceptível. Não digo essas coisas dpois dele ter sido ilegalmente preso e coagido a delatar políticos e servidores de alto escalão dos governos Lula e Dilma. Sempre pensei dessa forma em relação a Delcídio Amaral. Moralmente Delcídio se mostra um anão, senão um verme. Independentemente do torquemada paranaense vir a condenar Lula e ministros que serviram ao governo dele e da presidenta Dilma Rousseff, a estapafúrdia e inconsistente ‘delação’ de Delcídio já caiu por terra, foi desmascarada, desmoralizada. 

    De forma competente a defesa de Lula fez desmoronar toda a peça acusatória contra o ex-presidente. Se sérgio moro fosse um juiz, não um investigador-promotor-persecutor, um militante político do PSDB e um preposto dos EUA, a absolvição de Lula seria a conseqüência natural, tendo em vista a inconsistência das acusações e a absoluta falta de provas minimamente capazes de incriminar o ex-presidente Lula. Mas sérgio moro não é juiz e o que se busca não é fazer um julgamento imparcial e justo. Lula já está condenado; sérgio moro procura o crime, de modo a enquadrar Lula e levá-lo ao cárcere ou, no mínimo, inviabilizá-lo para a disputa presidencial em 2018, em que aparece como franco favorito, apesar do bombardeio e massacre midiático e que a ORCRIM da Fraude a Jato lhe impõem há mais de dois anos.

  2. A prisão de Delícidio foi um

    A prisão de Delícidio foi um teatro armado para que fosse criado esse enredo ficcional que leve a absurda prisão de Lula…já os verdadeiramente corruptos estão por ai goazando na nossa cara…que falta nos faz o parendon de Fidel para dar um jeito nessa corja golpista e lesa-patria, bando de traidores do interesse nacional e capachos dos eua…

  3. Moro esqueceu de pedir

    Moro esqueceu de pedir esclarecimentos ao Delcídio sobre sua prisão antes e antecedente à delação e a, sempre presente, ameaça (concreta e mesmo velada) de nova prisão, caso não fizesse a delação premiada…

    Esqueceu também de pedir esclarecimento dos por que Delcídio aceitou e continuou a ser lider do Governo (não era originário do partido ao qual foi convidado a ingressar e, conforme disse, ao depois, abandonado pelo PT…)

  4. http://agenciabrasil.ebc.com.

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-11/delcidio-pressionou-para-cervero-nao-delata-lo-diz-filho-de-ex-diretor

     

    Felipe Pontes
    Da Agência Brasil

    Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, voltou nesta segunda-feira, 28, a afirmar ter sido pressionado pelo senador cassado Delcídio do Amaral para que seu pai não celebrasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

    Testemunha de acusação, Bernardo Cerveró foi ouvido pelo juiz substituto da 10ª Vara Federal Ricardo Leite na ação penal em que Delcídio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pecuarista José Carlos Bumlai e o banqueiro André Esteves, entre outros, são acusados de tentar comprar o silêncio de Nestor.

    Ele confirmou ter recebido uma primeira remessa de R$ 50 mil enviados por Delcídio como uma “ajuda à família”, mas disse não ter ficado com a quantia. O dinheiro teria sido devolvido a Edson Ribeiro, então advogado de Nestor e intermediário do pagamento, para que ele cobrisse custos processuais.

    Questionado pelo Ministério Público Federal (MPF), Bernardo relatou ter se encontrado pelo menos quatro vezes com o ex-senador Delcídio do Amaral para discutir o teor das tratativas que haviam sido iniciadas com os procuradores da Lava Jato em Curitiba após a prisão de Cerveró, em janeiro do ano passado.

    Em uma delas, em um encontro no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, “ele [Delcídio] diz explicitamente, ele me pede textualmente para não fazer delação. Que ele [Nestor] ia ficar refém dos procuradores”, disse Bernardo.

    Tais reuniões teriam ocorrido por incentivo de Edson Ribeiro, a quem Bernardo acusa de atuar contra os interesses do próprio cliente e em prol dos de Delcídio, a partir do momento em que passou a tentar demover Nestor Cerveró de fechar um acordo de delação premiada.

    Segundo Bernardo, o advogado teria tentado influenciar inclusive a delação do lobista Fernando Baiano, outro colaborador da força-tarefa da Lava Jato.

    “Para o meu espanto, ele [Edson] pediu para eu passar uma mensagem para o Gustavo [irmão de Baiano] para que Fernando Baiano não falasse do senador. Ele me colocou na situação de cometer um crime de obstrução de Justiça”, disse Bernardo.

    A defesa de Ribeiro nega todas as acusações e argumenta que o advogado sempre se posicionou contra acordos de delação premiada celebrados por pessoas presas.

    Bernardo disse nunca ter ouvido os nomes do pecuarista José Carlos Bumlai ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos encontros que teve com Delcídio. Bumlai e Lula foram citados em delação por Delcídio do Amaral como cúmplices no esquema de compra do silêncio de Nestor.

    O filho de Nestor Cerveró disse também desconhecer a natureza do envolvimento de André Esteves na trama. O banqueiro foi apontado pelo MPF como origem do dinheiro que compraria o silêncio do ex-diretor da Petrobras.

  5. Até que enfim: os advogados

    Até que enfim: os advogados do Presidente Lula estão tratando o juiz Moro de acordo com o que ele é (ou representa): mero juiz de primeira instância. Nem mais, nem menos. Resta saber se os quartanistas desembargas e os ministrecos da vida se comportarão como revisores em desembargamentos e ministroses ou se, apenas – lamentavelmente, como juizecos de primeira instância. 

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