Programa de FHC contra apagão viabilizou propina na Petrobras, diz Cerveró

A propina que a Alstom pagou a delatores da Lava Jato por ter sido favorecida na compra de equipamentos para a construção emergencial de usinas, pela Petrobras, tem relação com a crise energética e o lançamento do PPT (Programa Prioritário de Termeletricidade) por FHC

Jornal GGN – Os detalhes não estão na delação assinada por Nestor Cerveró junto à Lava Jato e tampouco foram explorados pela imprensa, emboram constem no depoimento do ex-diretor da Petrobras, gravado pela Lava Jato e entregue ao Estadão para publicação em 6 de junho. No vídeo, é solicitado a Cerveró que faça uma contextualização de um dos assuntos tratados no anexo 32 de seu acordo de cooperação: as propinas da Alstom e GE e o favorecimento ao filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela Petrobras, durante a gestão do tucano. É quando Cerveró associa o programa frustrado de FHC para evitar o apagão com a janela de oportunidades para corrupção.

O depoimento foi dado à Lava Jato em dezembro de 2015. Nele, Cerveró conta que atuava na Petrobras desde o início da década de 1990, e já conhecia Delcídio do Amaral antes de ele ter sido nomeado por FHC, ainda que a contragosto, para uma diretoria na estatal. Seu patrocinador, à época, foi Jader Barbalho, pelo PMDB, e apesar de tucano, Delcídio era desprezado pelo PSDB.

Foi em 1997, segundo Cerveró, que o governo percebeu que iria enfrentar um racionamento grave de energia se não tomasse alguma atitude. “A crise estava delineada. Não tinha chuva, não tinha linha de transmissão [de energia produzida pelas hidrelétricas]. A oposição começa a criticar Fernando Henrique, dizendo que não tinha feito investimentos no setor elétrico. O que faz o FHC? Cria um programa emergencial”, comenta o delator.

De acordo com Cerveró, o PPT (Programa Prioritário de Termeletricidade) viabilizava a aquisição de equipamentos para a construção de termelétricas sem necessidade de licitação. Isso deu margem para que Delcídio, que já era conhecido do setor energético por ter sido ministro interino de Minas e Energia do governo Itamar, convidasse as empresas de seu interesse para fazer as parcerias e, em troca, cobrar uma “comissão” – o eufemismo para “propina” nos anos FHC.

“Havia recomendação do governo de aprovação urgente [dos projetos]. (…) Mas começam a surgir os problemas. É fácil, por decreto, criar o PPT. Mas não havia dinheiro no mercado para construir as térmicas. (…) A coisa evoluiu de forma que a Petrobras recebeu ordem do governo FHC para bancar os projetos.”

Segundo Cerveró, isso ele ficou de fora da delação, mas a Petrobras, para garantir as obras, foi orientada a não só criar uma série de vantagens para os investidores interessados como foi determinado que a estatal seria a compradora da energia produzida.

Por volta dos 43 minutos de vídeo, Cerveró conta que fazia parte do seleto grupo de técnicos que eram monitorados de perto pelo governo FHC, com o intuito de garantir a construção de usinas termelétricas a tempo de evitar o apagão. Ele também relatou que o desespero do Planalto com a crise era tão grande que o papel da Petrobras foi alterado: a companhia deixou os negócios do petróleo de lado para investir no setor energético, despertando até o “ciúmes” da Eletrobras, na época.

“A prioridade da Petrobras deixou de ser o petróleo e passou a ser terminar as térmicas. Essa crise era tão forte que toda semana ia para Brasília todo o setor elétrico – Delcídio, eu – porque o ministro [de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho Neto] acompanha passo a passo [a construção das usinas], porque a crise estava chegando. E chegou. Em 2001, chegou o racionamento. Como diz o grande especialista em setor elétrico [Mário Veiga], foi simples: nós quebramos o país e teve racionamento. A indústria parou. O consumo de energia caiu 25% com o racionamento. Ficamos com o mico colocado pelo governo na mão: a Petrobras teve que construir as térmicas a toque de caixa e ainda assim faltou energia.”

https://www.youtube.com/watch?v=gB3qxR7njq8 width:700 height:394]

O ex-diretor da Petrobras relatou pelo menos dois casos de propinas com valores vultosos que ocorreram sob o nariz de FHC, envolvendo a compra de máquinas para a construção das usinas. Uma negociação foi feita com a Alstom, na qual Cerveró admite ter recebido cerca de 700 mil dólares na Suíça, e outra com a GE. Neste último caso, Delcídio teria sido beneficiado com 10 milhões de dólares. “Os negócios eram aprovadas na diretoria [do Delcídio assim: pá, pá, pá, pá, pá, uma pauta por semana.” Outros diretores também recebiam vantagens indevidas.

Conforme o GGN publicou ontem, depois de uma hora de depoimento, a Lava Jato deu espaço para Cerveró revelar qualquer outro episódio de irregularidade que recordasse. Foi quando ele citou que, a mando do então diretor da Petrobras, Philippe Reichstul, ele fechou um negócio com a empresa representada por Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC, para operação da usina termelétrica do Rio de Janeiro, a maior do Brasil, na época.

Cerveró disse que Paulo Henrique sequer sabia o que era uma termelétrica e que sua presença nas mesas de discussão era uma clara “pressão” imposta pelo governo para que o negócio fosse fechado em seu benefício. Questionado sobre a existência de propina nessa transação, ele disse que não sabia responder, porque foi um acerto feito pela cúpula do governo com a Petrobras. ” Foi arranjo interno deles lá.” (Leia mais aqui)

O caso das termelétricas é alvo de inquérito da Polícia Federal, que corre sob sigilo.

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7 comentários

  1. Ora, se tem cerveró e

    Ora, se tem cerveró e delcídio, né douto Moro, há de ter o Lula, não? Então, deixe-se os demais de lado, principalmente, o dileto filho (nesse o dna confere?) do ínclito príncipe fhc e ponha-se os puliça e o adeusado nos carcanha lulísticos: ora, dizer que o filho do fhc esteve na mutreta; mande-se logo essa documentação-tralha ao GM para mais um hc da hora.

  2. Me engana!! Que eu gosto!

    “O caso das termelétricas é alvo de inquérito da Polícia Federal, que corre sob sigilo.”

    kkkkkkkkkkk

     

    Dizem também que agora eles vão achar o endereço da mulher do Cunha. Vão encontrar a conta secreta onde se escondem as fortunas do Zé Dirceu, Genoino, Delubio e João Paulo e que esse negócio de invenção do corrupto pobre é conversa de esquerdista. Vão encontrar o dono do helicóptero e dos 500 KG de pasta base de cocaína e o Daiello vai fazer um Power-Point para demonstrar as provas e conclusões de todas essas investigações. E ficar famoso igual ao Dallagnol.    

    Quááááá  quááááááá  quááááááá!!!!

     

  3. programa….

    O que o Programa de FHC viabilisou foi o roubo total da Petrobras. Foi traição de lesa-pátria. A Petrobrás, uma das maiores petrolíferas mundiais. Era 100% nacional. Agora, quanto pertence verdadeiramente ao Brasil? Por uns míseros dólares venderam grande parte da empresa. O que isto beneficiou a estatal e o país? Agora, peguem os valores pagos há alguns anos e vejam o espetacular investimento que alguns fizeram comprando a empresa? E repetiremos novamente a mesma imbecilidade? Não se trata de ser coxinha ou mortadela, de estatizante ou privatista. Trata-se de usar 1 grama de cérebro. 

  4. Qyandioeio que F H C fez suas

    Qyandioeio que F H C fez suas fakcatrtcas , é evidente que acredio—porque é veedade.

    Seguiu os padrões desde senpre..Normal–nem presusa  aspas,

    Aí entra o arauto da moraidade e, por 13 anos, ASSALTA TUDO..—e mais um pouco tudo.

    O PT  é amador. Esplico:

    Todos roubaram na miúda ,tipo pouco as pouco.

    O PT inovou:

    Com larga aceitação popular, roubou DESCARADAMENTE e INTERMITENTE,

    Até pra roubar, o PT é de um amadorismo INCRÍVEL

     Se aliaram ao Maluf, mas não  não tomazram aulas dele,

               Resultado:

          O mega bandidão Maluf continua solto , e os  petistas em cana.

     

      

     

     

  5. FFHHCC

    Ainda que não dê em nada, é muito bom que essas praticas, das quais sempre ouviu-se falar, saiam à luz hoje. E ainda de quebra relembrar a incompetência do governo Fernando Henrique Cardoso, como no caso do setor elétrico, sem esquecer da marca maior de seu govenro: as famosas privatizações para la do limite da irresponsabilidade.

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