Os Brasis: a hora do jogo, por arkx

Por arkx

como encaixar num quebra-cabeça a peça definitiva, mesmo sabendo que ela não vai se encaixar? como colocar em jogo o craque que decidiria a partida, apesar dele apenas querer jogar para a platéia? como jogar na mesa o triunfal às de trunfo, se ele insiste em pular fora do baralho?

o cenário que vivemos no Brasil é inédito e, ao mesmo tempo, aterrador. nunca antes neste país o jogo esteve tão às claras, mas nunca também as cartas estiveram tão embaralhadas.

mais uma vez o novo tenta nascer, não apenas o velho se recusa a morrer, como é mantido artificialmente vivo conectado a caros, e geralmente inúteis, aparelhos, ironicamente denominados pela indústria médico-hospitalar como “suporte de vida”.

mas o que nasce primeiro? o programa mínimo e sua estratégia? ou o candidato viável eleitoralmente para viabilizá-lo? ou continuamos nos perdendo nas falsas questões? e sendo assim, qual a questão que, de fato, importa?

estamos todos numa travessia. num interregno. na escuridão de uma noite perversa, procuramos pela saída. mas já estamos fartos de saber que já não há saídas. houve sim um caminho de entrada. mas por ele jamais poderemos retornar.

no crepúsculo de uma era, jamais regressaremos para “casa”. não há como arrastar-se de volta para um protetor e aconchegante útero materno. já não há nenhum sentido no parricídio, se a mãe está morta, assassinada. o processo que gerou este momento foi abortado por um golpe.   

nenhuma nova identidade se reconstruirá fundada numa apodrecida mitologia. larva alguma brotará deste cadáver infecundo. este tempo passou. não há retorno.

não se pode voltar de uma viagem definitiva. apenas avançar. ou morrer.

desejamos a morte? por que se deseja algo contrário ao próprio interesse? como se chega ao ponto de desejar a repressão? como se faz da existência apenas a experiência do puro e mortal tédio?

ah! mas precisamos sobreviver… e assim firmamos nossos míseros contratos no cotidiano, nos conchavos diários, nas conciliações nos relacionamentos, nos pactos com a auto-indulgência, nos acordos familiares, nas rendições afetivas, nas capitulações de nossos projetos.

no lento suicídio a cada vez que traímos nossos sonhos, a cada vez que nos perdemos de nosso desejo, a cada vez que deixamos de ser nós mesmos para nos encaixarmos, à fórceps, em algum personagem que nos é socialmente imposto.

nossos problemas não se resolvem sob a perspectiva da neuroquímica, muito menos com eletroterapia ou lobotomia, tampouco tagarelando confortavelmente aninhados num divã. não precisamos de psicólogos e psiquiatras. precisamos de política.

toda atividade política é também terapêutica. e todo processo terapêutico é eminentemente político. por isto, não existe militância política separada da própria maneira de se viver.

é no teatro de operações da micropolítica do cotidiano que podemos derrotar os biopoderes e deflagrar revoluções moleculares.

porque precisamos todos sobreviver, somos constrangidos em nosso dia a dia a implementar políticas de gestão do capitalismo. mas não basta apenas sobreviver. o que desejamos mesmo é viver. viver intensamente. sobreviver faz parte de nossa tática. viver intensamente deve ser nosso objetivo estratégico. assim, nos é inevitável mirar no pós-capitalismo.

se os demiurgos do neoliberalismo negam a existência de tal coisa denominada como “sociedade”, tampouco existe tal coisa de “indivíduo”. só existem as relações sociais.

indivíduo e sociedade como nada mais do que duas perspectivas de enfoque das relações sociais. uma mais de perto, os indivíduos, e outra mais distante, a sociedade. apenas fluxos se cruzando e se interconectando incessantemente, gerando uma rede infinita como um fractal. em cada nó desta teia rizomática, nós mesmos surgimos, nossa subjetividade é produzida.

há momentos em que o tempo se contorce, gira em torno de si mesmo. passado, presente e futuro se misturam. as decisões tomadas nestes momentos afetam não apenas o futuro, como resgatam o passado. os fatos passados ganham não apenas outra interpretação, como uma outra dimensão.

é nestes momentos que se engendra a História.

haveria algum transmutador histórico? algo capaz de destravar o karma instantâneo. não para restaurar o movimento linear do tempo pendular e mecânico do relógio capitalista. mas para fazer irromper um tempo qualitativo e catalisador no presente de todos os momentos de revoltas no passado.

haveria um tempo no qual atos individuais se potencializam e ganham efeito social? um tempo prenhe das possibilidades de um futuro indeterminado. como dar um salto sob um Sol imóvel no meio de seu curso? um salto para o passado e imediatamente de volta para o futuro, libertando o presente de sua agonia e desespero infindáveis.

afinal, o que desejamos? desejamos autenticamente “fazer História”?

sim, é verdade. não devemos nos enganar. sabemos muito bem que temos apenas duas mãos e o sentimento do mundo. mas o que é o mundo, senão as pessoas? e são as pessoas que mudam o mundo. são as pessoas que fazem a História.

o tempo do jogo é agora.

vídeo: “Capitão Fantástico” – cremação

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34 comentários

  1. You can check-out any time you like, but you can never leave!

    Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã

    Mas o Sol, como todos os Planetas que o orbitam e que dele dependem, ainda pode amadurecer um cacho de uvas como se nada mais existisse a fazer no Universo

    E é, portanto, claro que ele vai voltar amanhã

    Pois, apesar de você, amanhã há de ser (e será) outro dia

    E você vai ter que ver

    A manhã renascer

    E esbanjar poesia
    Pois enquanto houver sol

    Ainda há de haver saída

    Nenhuma idéia vale uma vida

    So, pay now, play later, Playboy!

  2. Estamos diante da impossibilidade de qualquer retrocesso

    “As revoluções proletárias, como as do século XXI, se criticam constantemente a si próprias, interrompem continuamente seu curso, voltam ao que parecia resolvido para recomeçá-lo outra vez, escarnecem com impiedosa consciência as deficiências, fraquezas e misérias de seus primeiros esforços, parecem derrubar seu adversário apenas para que este possa retirar da terra novas forças e erguer-se novamente, agigantado, diante delas, recuam constantemente ante a magnitude infinita de seus próprios objetivos até que se cria uma situação que toorna impossível qualquer retrocesso e na qual as próprias condições gritam:

    Hic Rhodus, hic salta!”

    Marx, O 18 Brumário

  3. sociedade unida…

    ou nada

    um freio aqui, outro ali, quando pisados pela mídia, e permanecemos girando sem sair do lugar no tempo e no espaço

    certíssimo que já disse que o poder mais destruidor da sugestão é o individual

    do meu ponto de vista, beleza de post, parabéns

    sociedade refém da mídia que temos, nada mais é que um espelho quebrado, quando os lamentos e cobranças dos caquinhos já não resolvem nada

    sociedade tem que migrar para um nível superior, mais humano. Novo espelho, não outro igual

     

    • os Brasis: a hora do jogo

      -> sociedade tem que migrar para um nível superior, mais humano. Novo espelho, não outro igual

      o modelo está todo errado. e disto sempre soubemos. só que agora isto ficou escancarado. embora não tenhamos força para mudá-lo como um todo, muito podemos fazer nas iniciativas do cotidiano. não me refiro aqui a nenhum tipo de “grupo de apoio” e estas inutilidades de auto-ajuda. e sim a ter um tipo de vida cotidiana, o que está ao nosso alcance, já em processo de migração para este “nível superior, mais humano”.

      abraços

      .

  4. `Pobre do país que para se

    `Pobre do país que para se reerguer, para ter um futuro, depende de um único lider com possibilidades altamente duvidosas de se viabilizar. Por mais justificada que seja a liderança e sua história, este lider praticamente inviável se amarraria nas mesmíssimas contradições e impossibilidades se pudesse restaurar a democracia no Brasil. É necessário sacudir a cabeça desse povo, fazer o ar puro passar pelos miolos bolorentos desses trabalhadores que insistem em votar em patrão. É preciso que eles sofram na pele as suas próprias covardias e a sua própria ignorância para adquirir a capacidade de não acreditar nas podres instituições e seus miseráveis protagonistas e rejeitá-los todos, sem excessão. Não haverá eleições em 2018, a não ser que haja um simulacro delas. As razões para isso são tão óbvias que em respeito a quem porventura venha a me ler eu não desfaça de sua inteligência. A única coisa que eu acredito é que a frustração, a raiva e o desespero daqueles que mais sofrem, mais são marginalizados, venham a se revoltar e desencadeie uma reação que leve este país a uma guerra civil. Aí veremos com quem vai sobrar.

    • A crítica das armas

      “Not even the most terrible misery affecting millions of workers is in itself enough to spur them to revolution. Man is by nature endowed (or cursed) by marvelous patience, and only the devil knows how he can patiently endure unimaginable misery and even slow death by starvation; and even the impulse to give way to despair is smothered by a complete insensibility toward his own rights, and an imperturbable obedience…

      People in this condition are hopeless. They would rather die than rebel. But when a man can be driven to desperation, he is then more likely to rebel. Despair is a bitter, passionate feeling capable of rousing men from their semiconscious resignation if they already have an idea of a more desirable situation, even without much hope of achieving it. But it is impossible to remain too long in a state of absolute despair: one must give in, die, or do something about it – fight for a cause, but what cause? Obviously, to free oneself, to fight for a better life…

      But poverty and desperation are still not sufficient to generate the Social Revolution. They may be able to call forth intermittent local rebellions, but not great and widespread mass uprisings. To do this it is indispensable that the people be inspired by a universal ideal, historically developed from the instinctual depths of popular sentiments, amplified and clarified by a series of significant events and severe and bitter experiences. It is necessary that the populace have a general idea of their rights and a deep, passionate, quasi-religious belief in the validity of these rights. When this idea and this popular faith are joined to the kind of misery that leads to desperation, then the Social Revolution is near and inevitable, and no force on earth will be able to resist it.”

      Mikhail Bakunin

      • Rui Ribeiro, contando

        Rui Ribeiro, contando antecipadamente com sua compreenção, recorri ao tradutor do Google, para facilitar a vida dos analfabetos em inglês como eu, melhor usufruirem desse interessante, e tantas décadas depois, tão atual e oportuno texto do grande pensador político russo, o socialista-anarquista Bakunin.

        Orlando

        A crítica das armas

        Ter, 07/03/2017 – 11:32

        “Nem mesmo a miséria mais terrível que atinge milhões de trabalhadores é suficiente para estimulá-los à revolução: o homem é por natureza dotado (ou amaldiçoado) por uma paciência maravilhosa, e só o diabo sabe como ele pode suportar pacientemente uma miséria inimaginável e até a morte lenta Pela fome, e mesmo o impulso de dar lugar ao desespero é sufocado por uma completa insensibilidade aos seus próprios direitos e uma imperturbável obediência …

        As pessoas nesta condição são desesperadas. Eles preferem morrer do que rebelar. Mas quando um homem pode ser levado ao desespero, ele é mais propenso a se rebelar. O desespero é um sentimento amargo e apaixonado, capaz de despertar os homens de sua resignação semiconsciente, se já tiverem uma idéia de uma situação mais desejável, mesmo sem muita esperança de alcançá-la. Mas é impossível permanecer muito tempo em um estado de absoluto desespero: um deve ceder, morrer, ou fazer algo sobre isso – lutar por uma causa, mas que causa? Obviamente, libertar-se, lutar por uma vida melhor …

        Mas a pobreza e o desespero ainda não são suficientes para gerar a Revolução Social. Podem ser capazes de provocar rebeliões locais intermitentes, mas não grandes e generalizadas revoltas de massa. Para isso, é indispensável que o povo seja inspirado por um ideal universal, historicamente desenvolvido a partir da profundidade instintiva dos sentimentos populares, amplificado e esclarecido por uma série de acontecimentos significativos e experiências severas e amargas. É necessário que a população tenha uma idéia geral de seus direitos e uma crença profunda, apaixonada, quase religiosa na validade desses direitos. Quando esta idéia e essa fé popular se unem ao tipo de miséria que leva ao desespero, então a Revolução Social é próxima e inevitável, e nenhuma força na Terra poderá resistir a ela “.

        Mikhail Bakunin

         

         

         

         

        • Muito obrigado, Orlando, pela tradução. E desculpe-me

          “O desespero é um sentimento amargo e apaixonado, capaz de despertar os homens de sua resignação semiconsciente, se já tiverem uma idéia de uma situação mais desejável, mesmo sem muita esperança de alcançá-la.” – Bakuna

          Por mais que os governos petistas tenham tentado administrar a crise burguesa, contentando-se em apenas atirar as migalhas do banquete burguês para os oprimidos e explorados, eu acho que, ainda assim, os governos petistas deram um salto de qualidade ao permitir aos trabalhadores e desempregados criarem uma idéia de uma situação mais desejável, sem miséria e sem ignorância.

          O Arkx não vê as coisas por esse ângulo. Não sei se feliz ou infelizmente.

          • os Brasis: a hora do jogo

            pô, Rui

            esta ilustração e a foto com a pichação são do processo contra o grupo preso nos protestos contra a Copa, no Rio. o Bakunin foi arrolado como suspeito. na ilustração os dois estão caracterizados como Black Blocs. anarquistas e marxistas tem mais é que andar juntos, sem dogmatismo e sectarismo.

            grande abraço

            .

    • os Brasis: a hora do jogo

      ->Por mais justificada que seja a liderança e sua história, este lider praticamente inviável se amarraria nas mesmíssimas contradições e impossibilidades se pudesse restaurar a democracia no Brasil.

      por isto tenho aqui repetido enfadonhamente à exaustão: não há retorno. temos que pensar e construir não uma saída, e sim portais de entrada para um novo ciclo.

      abraços

      .        

  5. A armadilha da institucionalidade…

    Sugiro a leitura do texto do Luis Felipe Miguel:

    http://grupo-demode.tumblr.com/post/158104109662/lula-n%C3%A3o-pode-ser-a-normaliza%C3%A7%C3%A3o

     

    O dilema (ou será trilema?) que se impõe é complexo: uma vitória de Lula não significará a imediata construção de uma agenda de ruptura nesse país, e a julgar pelo que vem ocorrendo, a banca sabe disso, e mantém o golpista temer para que ele faça o trabalho sujo de desmonte do que resta de Estado brasileiro, de tal forma que um governo de orientação política contrária passará quatro anos ou mais para tentar desfazer tudo…com enormes custos políticos, geopolítocos e etc…

    Tal entrave histórico apenas seria vencido de as forças contra-hegemônias (anti-capitalistas) reunissem forças suficiente para permitir ao futuro presidente romper a armadilha do formalismo democrático…Mas a pergunta seria: ele quer?

    A julgar pela sua natureza política híbrida: fordismo keynesiano, eclesianismo de base com sindicalismo de lutas, acho que não quer!

    Até o apoio popular a Lula parece um sinal claro de que as classes C, D e E, a partir de filtros conservadores, exigem apenas a retomada da reforma meia-boca do capitalismo periférico…

    Sim, porque paradoxalmente, são essas classes que apoiam o presidente, mas mantêm-se inertes frente ao desenrolar do golpe , que se deu bem em frente aos seus narizes…

    O ruído das redes sociais nunca poderá ser tomado como insatisfação de massas…

    Os setores mais pobres continuam apanhando e esperando “a procissão”, com o andor do santo Luis Ignácio…

    Só o martírio do líder carismático poderia acordar a plebe, mas ao que parece, a banca já entendeu e já mandou o recado ao inquisidor…

    Preferem lidar com o “homem” limitando seus passos, e resguardando os privilégios que atendem pelo apelido de governabilidade…

    • os Brasis: a hora do jogo

      concordo com cada linha de seu comentário e também com o texto do Luis Felipe Miguel:

      “Desde o golpe, Lula e o campo majoritário do PT têm emitido sinais ambíguos para a resistência popular. Se sua candidatura representar um lulismo 2.0, isto é, turbinado para se adaptar aos limites ainda mais estreitos que as classes dominantes estão estabelecendo para a expressão do conflito político, uma nova presidência de Lula significará a normalização da nova ordem, mais perfeita do que seria possível sob qualquer político conservador. Um presidente “de esquerda”, mas acomodado a um cenário em que os direitos estão perdidos, a economia está mais desnacionalizada e a Constituição de 1988 foi transformada em escombros. E a luta popular novamente canalizada para as eleições, ainda que se saiba que seus resultados podem ser revistos quando interesses poderosos se unem.”

      Lula não pode ser a normalização

      olha só, quero deixar dois pontos bem claros aqui – principalmente contigo a quem respeito pela inteligência e conhecimento:

      1. nada tenho de pessoal contra Lula, Dilma, etc… ao contrário, considero Lula a maior liderança gerada por nossa sociedade. e, portanto, trata-se de “patrimônio nacional”, apesar, e sobretudo, das imensas contradições de sua atuação política;

      2. sempre, e cada vez mais, considero que o enfoque deveria ser na construção de alternativas, tanto táticas quanto estratégicas, e não na crítica aos erros da Esquerda, contudo tem sido extremamente difícil passar desta fase, dada a insistência absurda em teses que há muito deveriam ter sido abandonadas. talvez com estes artigos recentes, como o que vc citou do Luis Felipe Miguel (muito bom o livro “2016: O Ano do Golpe”) seja viável a mudança de foco.

      valeu! grande abraço.

      .

  6. As pessoas falam de golpe dentro do golpe, mas ele é antigo

     

    Arkx,

    Tomo um pedaço de uma frase sua logo no início em que você diz:

    “nunca antes neste país o jogo esteve tão às claras, mas nunca também as cartas estiveram tão embaralhadas”.

    E se, formos nós que estamos com o olhar turvo, obnubilado ou só querendo enxergar a realidade que é o nosso desiderato e, por isso, vimos e vemos todas as cartas embaralhadas, mas elas estão bem distribuídas e visíveis para qualquer esforço maior que nos acometa.

    Recentemente eu contei a história de uma gravação que não existia em que um presidente da República, antes provisório agora definitivo às custas do golpe, pede para os poderosos de plantão pagarem uma boa quantia para as pessoas com certa importância nos meios de comunicação falarem mal do indicado dele para o órgão máximo do poder judiciário do pais, pois assim ele poderia pressionar os representantes legislativos a fazerem aquilo que ele gostaria que fosse feito, pois ele estaria fazendo também aquilo que os representantes legislativos tinham pedido para ele fazer. Vista por esse ângulo, a realidade fica bem diferente de como a temos imaginado.

    Essa história que não existiu poderia ter existido. E então eu conto agora outra história que também não existiu, mas que poderia ter existido e com ela as cartas ficam muito menos embaralhadas.

    A segunda história é a seguinte. Dizem que também não há, ou eu escutei errado e há, uma gravação confirmando essa história. Na gravação, o presidente da República, antes provisório agora definitivo às custas do golpe, teria reunido com alguns próceres e dito o seguinte. Olha, os nossos legisladores mais retrógrados tomaram o poder e a qualquer momento invadem o Palácio da Alvorada e se assentam lá com mala e cuia. É preciso tomar o poder deles. A primeira medida que eu vou adotar será estabelecer um teto de gastos. Eles vão ficar quase 10 anos sem poder mexer no orçamento. E daqui a dez anos só poderão mexer via Lei Complementar. Talvez nesses dez anos se os consiga eliminar, mas agora eles são maioria e já tomaram o poder da ex-presidenta da República às custas do golpe.

    Então o primeiro golpe ocorreu quando a ex-presidenta da República às custas do golpe ficou no Senado com menos de 1/3 de apoio. E o segundo golpe foi para tomar o poder dos que tinham tomado o poder da ex-presidenta da República às custas do golpe. Se se olhar agora e assim para a realidade ela não vai parecer como cartas embaralhadas. É claro que pode vir um terceiro golpe e tudo voltar a ficar embaralhado.

    De todo modo, é preciso analisar sempre todas as possibilidades que a realidade oferece para entender o que realmente acontece.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 07/03/2016

    • os Brasis: a hora do jogo

      -> Recentemente eu contei a história de uma gravação que não existia em que um presidente da República,

      -> A segunda história é a seguinte. Dizem que também não há, ou eu escutei errado e há, uma gravação confirmando essa história.

      Clever,

      é possível sim que existam todas estas gravações. são tantos os grampos… são tantas as “dedurações premiadas”…

      e até já tivemos acesso a uma delas, tornada ilegalmente pública. nele um ex Presidente da República afirma categoricamente: “Eu não quero incendiar o país. Eu sou a única pessoa que poderia incendiar este país.”

      seja como for: a caixa de pandora já não pode ser fechada. todos os demônios escaparam, já não resta esperança alguma.

      nenhuma articulação apenas restrita à cúpula será capaz de superar a crise, dela não sairemos sem algo antes impensável: a aplicação das “medidas populares”.

      abraços

      .

  7. Explica-me, se fores capaz!

    Prezados leitores,

    Morando e trabalhando no Rio, participei e apoiei as campanhas dos candidatos de Esquerda (PSOL e PC do B), inclusive financeiramente. Portanto tenho total liberdade e tranqüilidade para afirmar que Marcelo Freixo – com quem estive pessoalmente e apoiei – JAMAIS demonstrou a verve de um candidato que, de fato, estava empenhado em vencer a disputa pela prefeitura carioca. Todos os líderes e parlamentares do PSOL preferiram se esquivar e NÃO se manifestaram contra o golpe de Estado, que destituiu a Presidenta Dilma Rousseff e que mergulhou o Brasil na mais grave crise política e econômica, além de representar o maior retrocesso social da História, levando o País a uma era pré-CLT, quiçá semelhante ao período escravocrta, com cassação dos direitos previdenciários, trabalhistas, humanos e sociais.

    Luciana Genro, verborrágica e biruta, chegou a postar elogios à Fraude a Jato, como os leitores do GGN puderam constatar. O bom deputado Jean Wyllys por pouco não colocou toda a Esquerda em curto-cicuito no Rio, ao fazer declarações ofensivas a outros partidos e líderes da Esquerda. Se Marcelo Freixo teve o apoio do eleitorado que votaria em Jandira Feghali – voto útil na Esquerda, para levar um de seus candidatos ao 2º turno – isso NÃO tem ligação alguma com a desastrada  declaração de Jean Wyllys.

    O autor deste artigo é colaborador do GGN, tanto comentando matérias como publicando artigos opinativos e de análise. A impressão que passa é de que ele é adepto ou simpatizante do PSOL. 

    O excerto abaixo é de uma notícia publicada na FSP, dando conta da participação do deputado Chico Alencar na festa de aniversário do representante-mor do puxa-saquismo e chapa-branquismo em relação ao governo golpista de ‘MT’, o ‘JP’ Ricardo Noblat. Eu quero ver o articulista justificar e defender a postura do deputado psolista, assim como o comparecimento dele e as declarações que deu, quando em convescote com o multidelatado senador tucano Aécio Cunha.

    __________________________________________________________________________________________

    Chico Alencar beija a mão de Aécio e diz que ele é diferente de Renan e Jucá

    Postado em 8 de março de 2017 às 7:55 am   

     

    Da Folha:

    O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) beijou a mão do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao diferenciá-lo de políticos envolvidos na Operação Lava Jato.

    Em jantar em comemoração aos 50 anos de carreira do jornalista Ricardo Noblat, no restaurante Piantella, em Brasília, na noite de terça-feira (7), Alencar, que faz oposição a Temer, conversava numa roda sobre diferenciar o tipo de envolvimento na Lava Jato.

    “Você tudo bem, mas Renan [Calheiros (PMDB-AL)] e [Romero] Jucá (PMDB-RR), não”, comparou o deputado.

    Alencar, então, perguntou sobre como era estar do mesmo lado que os dois —o PSDB é o principal aliado do presidente Michel Temer.

    “É isso mesmo”, tergiversou Aécio

    Site do Planalto posta fotos de Temer no aniversário de Noblat em retribuição a favores prestados

    Postado em 8 de março de 2017 às 12:26 am    

    Michel Temer compareceu à festa de aniversário do colunista Ricardo Noblat, do jornal O Globo, na noite de terça-feira (7).

    O convescote ocorreu no restaurante Piantella, reduto de políticos em Brasília.

    Noblat é de casa. Tão de casa que o site do Palácio do Planalto publicou diversas fotos de Michel na noitada.

    Ninguém esperava nada de Noblat depois da famosa pergunta no Roda Viva ao amigo: “Como você conheceu a Marcela?”

    Agora, pelo menos, não resta mais nenhuma dúvida de que ele trocou o jornalismo pela assessoria de imprensa.

     

     

      

     

    • Paiva, já pensou na saia justa que a Ex-querda estaria…

      João de Paiva, você já pensou na saia justa que a Ex-querda estaria se o Freixo tivesse sido eleito e tivesse que administrar a crise desencadeada pela burguesia no Rio?

      Não iria fazer nada, a não ser queimar o filme do anti-capitalismo, pois toda a culpa seria atribuída à esquerda. Se eu morasse no Rio, não votaria no Freixo por causa disso.

      paiva, acho que você tá equivocado sobre o Arkx. Ele parece Anarquista/Conselhista

      • os Brasis: a hora do jogo

        ->Ele parece Anarquista/Conselhista

        estive hoje no ato do Dia Internacional da Mulher, no Rio. encontrei um velho conhecido. foi dos tempos das ações armadas do PCBR, de Mario Alves e Apolônio de Carvalho. conversamos um pouco. na opinião dele, a situação vai piorar agudamente. corremos sério risco de caos social, inclusive com saques a supermercados. não há nenhuma organização na Esquerda, como um todo, capaz de canalizar as insatisfações se avolumando.

        em dado momento, ele comentou sobre outros conhecidos. então, se indagou de qual corrente mesmo que eu era. para logo rirmos os dois, com ele rapidamente se corrigindo: “pois é, você nunca foi de grupo nenhum…”

        .

        • Uma ovelha desgarrada, sem pasto e sem pastor?

          Diria o Velho Maluco Ambulante em Por quem os sinos dobram:

          Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
          Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
          Com toda essa força contida e que vive guardada
          O eco de suas palavras não repercutem em nada

          É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
          Evita o aperto de mão de um possível aliado, é…
          Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
          Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

          Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
          Coragem, coragem, eu sei que você pode mais

        • O problema está exatamente a aí.

          Prezado Arkx,

          Espero que tenha entendido meu comentário como uma saudável provocação ou contraponto apresentado num debate civilizado.

          Na resposta ao Rui Ribeiro, você faz um relato:

          “então, se indagou de qual corrente mesmo que eu era. para logo rirmos os dois, com ele rapidamente se corrigindo: “pois é, você nunca foi de grupo nenhum…””

          Você sugere como sendo uma vantagem ‘não ser de grupo nenhum’ ou não ser categorizado/classificado como adepto de uma corrente político-ideológica bem definida e conhecida. Isso confirma aquilo que eu escrevi no último comentário, pois é muito cômodo dizer-se apolítico ou anarquista, já que assim evitam-se as críticas diretas. Mas essa postura pouco ou nada contribui para o restabelecimento do Estado de Direito Democrático. O momento não é de nos escondermos, mas de mostrarmos a cara e de deixarmos claro de que lado estamos: se dos golpistas ou se daqueles que lutam pela democracia.

          • os Brasis: a hora do jogo

            Rui Ribeiro e João Paiva,

            uma coisa é a curiosidade natural e saudável do Rui Ribeiro a respeito de qual minha orientação política: marxista errático ou pós-anarquista? e nada de errado nisto, por isto fiz questão de retrucar com um relato absolutamente pessoal.

            outra é o vício autoritário, muito comum, de não focar nas opiniões e passar a discutir quem as emite, como insiste em fazer João de Paiva. assim como a tentativa de encaixotar pessoas em estereótipos, reduzi-las a rótulos, etiquetá-las sob a mediocridade do senso comum.

            daí a incapacidade de se compreender que se pode ter posições políticas claras, definidas e coerentes com a prática, e, ainda assim, não pertencer organicamente a nenhum grupo organizado.

            há muito que se discutir e mais ainda a se agir, para nos perdermos na inútil tentativa de reduzir a complexidade da realidade ao paradigma parlamentar e institucional. miremos nos exemplos dos Zapatistas e dos Curdos, hoje dos movimentos sociais, inclusive agregando organização militar, mais avançados do mundo.

            tanto o facilidade da perpetração do golpe quanto a insuficiente resistência a ele, deveriam ter nos ensinado o quanto estamos aquém do que nossa conjuntura nos demanda.

            abraços

            .

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